Estamos na recta final da Primavera, os dias vão sendo mais longos, o que faz com que, pouco a pouco, os campos vão secando de sul para norte, substituindo o cor verde pelos ocres e amarelos. São dias ambíguos que misturam o aparecimento de pintos volanderos das espécies mais precoces no início da criação, com o aparecimento dos últimos migrantes vindos das terras transaharianas, que agora se preparam para começar a sua reprodução. É o caso do ógea (Falco Subbuteo), que aproveita que o corvo deixou seu ninho quando voaram todos seus crias para ocupá-lo e trazer uma nova geração ao mundo. Além disso se aproveitará da abundância de filhotes jovens e inexperientes, fáceis de capturar que servirão para alimentar os seus, junto com uma explosão de libélulas que capturará e devorará em pleno voo. Se olharmos, chegam continuamente aos pontos de água os jovens chapim-azuis, reais e as tordeias. Nas pastagens, os rodopios de estorninhos pedem comida aos pais com gritos insistentes e batem de asas depois de desajeitados voos a nível do solo. Pouco a pouco se vão apagando os alegres cantos de papa figos e rouxinóis, agora se trata de ser mais discretos e tirar a família adiante.